Lea Vicens confirma a alternativa no Campo Pequeno
Até há bem pouco tempo, o mundo da tauromaquia era quase exclusivamente dominado por homens. As excepções, até ao terceiro quartel do século XX, resumem-se praticamente a "La Reverte" (que teve de "mudar de género" para contornar a lei espanhola que proibia as mulheres de tourear e passou a anunciar-se como Agustín Rodriguez) e Conchita Citrón. Depois de 1975 aparecem várias mulheres a tourear a pé e a cavalo, nos vários países de tradição tauromáquica. Hoje em dia, é tão normal ver cartéis em que os artistas são homens e mulheres, como sentir que disputam entre si os lugares de destaque no panorama tauromáquico.
A jovem Lea Vicens pertence a esse grupo de artistas que vieram provar que,
na tauromaquia como em outros domínios, a arte não tem género. Francesa de nascimento (Nîmes, 22 de Fevereiro de 1985), de muito tenra
idade (4 anos apenas) começou a montar a cavalo. Cresceu na Camarga, região do
sul de França onde abunda toiros e cavalos. Desenvolveu o gosto e a apetência
natural pela equitação e cimentou os seus conhecimentos do cavalo, sobretudo o
de toureio, com Mestres da Arte de Marialva e do Rejoneio. Um encontro com o Mestre do Rejoneio Ángel Peralta modificou a sua vida.
Instalou-se no rancho que Ángel explora juntamente com o seu irmão Rafael e aí
depurou o seu conceito de equitação e aprimorou o seu estilo de rejonear.
A sua estreia deu-se a dois de Outubro, na localidade espanhola de Olemdo
(Valladolid) e, cerca de três anos depois (14 de Setembro de 2013), tomava a
alternativa na sua Nîmes natal, apadrinhada por Ángel Peralta e Paco Ojeda. De então para cá, tem sido o cimentar de conceitos, o aperfeiçoamento
constante e, como consequência, o sucesso que quase sempre sorri a quem é
determinado.
Na temporada de 2015, toureou 26 corridas tendo cortado 47 orelhas e um rabo. A 19 de Julho do ano anterior apresentou-se com êxito nas Caldas da
Rainha. O seu mais recente triunfo foi a 16 de Maio, em Nîmes, onde cortou as
orelhas ao segundo toiro do seu lote, como os restantes pertencentes à
ganadaria de Fermín Bohórquez e saiu em ombros com Pablo Hermoso de Mendoza que
obteve iguais troféus. Nîmes, coliseu romano adaptado a praça de toiros, é a
mais importante arena de França e uma das mais importantes ao nível mundial. Foi uma corrida memorável para Lea que, mais uma vez, foi profeta na sua
terra e na imprensa, sobretudo
espanhola, fez-se eco deste triunfo. "Toureou como os grandes, ao lado dos grandes" escreveu a revista Aplausos
que acrescenta: "sabe lidar, montar e cravar". Já o diário ABC titula: "Golpe
eficaz de Lea que sai em ombros pela Porta Grande" e define a sua actuação como
de "garra e entrega, muito bom gosto e muito temple". Já o site "cultoro" destaca "o classicismo do seu conceito de rejoneo e a
faena de muita qualidade, na qual pôs alma para conquistar os seus
conterrâneos". Quanto ao site "mundotoro", refere que "os espectadores se entregaram à
grande dimensão do toureio da amazona francesa".Lea, em entrevista a este site deu conta da satisfação com que viveu o
triunfo de Nîmes: "Foi uma corrida muito importante. Voltei a sentir as
sensações com que terminei a temporada de 2015. Fez-me voltar a sentir as
emoções do toureio e a dar-me confiança para os fortes compromissos que tenho
agendados para esta temporada".
A rejoneadora francesa mostra-se ciente da importância
das suas próximas actuações, em que se destacam as confirmações de alternativa
no Campo Pequeno (Lisboa, 2 de Junho) e em Las Ventas (Madrid, a 4
de Junho).

